14 Julho, 2009

Abordagens e genialidades

Dizem que tal novela ou filme levanta uma discussão sobre tal assunto, e que isto o tornaria útil à população de alguma forma. Acho que isso é um exagero. Mesmo quando uma história fala sobre algum assunto, ela não está falando tanto assim. Não é uma real abordagem da coisa, é só um "exemplo" de uma situação simulada pelo diretor/autor. Não é algo tão profundo para merecer tanto mérito.

Algo parecido ocorre com outras produções culturais, por exemplo, livros e músicas. Aprecio muito esses dois, mas acho que não chegam a ser geniais. Passei a admirar muito mais algumas concepções novas, como o evolucionismo de Darwin e a relatividade de Einstein (em especial essa). Isso que eu chamo de genial. Claro que há criações como os quatro elementos ou o lamarckismo; o defeito delas é não terem acertado.

E com esse desmerecimento dos produtos culturais, só posso esperar críticas.

De novo, pelo critério de utilidade: que importância tem este post para a compreensão das coisas?

13 Julho, 2009

Determinismo

Chamo determinismo quando algumas condições no universo fazem com que outros fatos devam ser necessariamente verdadeiros. Sou determinista (ou fatalista, como se diziam os gregos). Acho que todas as coisas são como são e não poderiam ser diferentes, pelo fato de serem assim. Corro o risco de fazer uma observação inútil, por não fazer nenhuma previsão passível de teste (e portanto não poder ser considerada ciência, e nesse caso beirar um falatório fútil). De qualquer maneira, é o que acho mais plausível. Não acredito em escolhas; acho que o jeito como todas as partículas são não permitem uma evolução diferente da situação. Da mesma forma, acho mais plausível não haver nenhuma forma de deus ou divindade (e isso corre o risco de não fazer diferença nenhuma). Assim, meu determinismo não tem nada de "assim deus quis" ou "assim estava escrito", a não ser em um sentido puramente metafórico.
Existem várias formas de determinismo, e pretendo apresentar as duas que consegui conhecer ou bolar.

A primeira forma é a dos abertos. Ela diz que se as situações de todo um conjunto "aberto" no espaço-tempo (tem um sentido matemático preciso; considere que contém ao menos uma esfera de dimensão máxima [possivelmente quatro]) forem de tal forma, todo o resto não poderá ser diferente da única configuração que encaixa com a configuração do aberto. E é claro que uma se encaixa, se selecionarmos a configuração do aberto "a que existe".
Uma situação muito parecida é a das funções analíticas. Conhecidos seus valores em um conjunto aberto, todo o resto está determinado. Por exemplo, na imagem, a única função analítica que contenha aquele trecho em vermelho é a desenhada; não poderia haver outra.



Outra forma é a do instante. Diz que se conhecermos a situação das partículas em um "instante" (como não há exatamente instante, pense em uma "folha" tenha um representante pra cada ponto do espaço), poderemos conhecer em todo o resto (os momentos futuros e passados de cada elemento da "folha").
A "analogia" seria o Teorema de Existência e Unicidade para Equações Diferenciais. Dada uma equação diferencial, que representa as regras do universo (de fato elas são dadas por equações diferenciais, como Euler-Lagrange ou Navier-Stokes), enquanto o "instante" é um ponto, a "condição inicial". Olhando no desenho, as regras do universo (ou seja, o universo) determina as possíveis linhas que podem ser seguidas. Há uma e exatamente uma para cada ponto "determinado" no universo (que é mais que um ponto, e sim uma descrição colossal). A situação vermelha é a única que pode "acontecer", dada a equação diferencial e o ponto escolhido para ser o "real".



Chamo a atenção que esse determinismo não diz, de forma alguma, que possamos conhecer todas as variáveis envolvidas de modo que possamos fazer uma descrição (nem em papel nem em bits) de um aberto ou de um instante. Assim, essa ideia de determinismo são bem mais teóricas do que práticas; serem verdadeiras ou não não deve fazer muita diferença em como agimos. Principalmente porque, segundo a teoria, não poderíamos ter escolhas. :)

08 Julho, 2009

Erros na série Harry Potter

Este post será sobre os erros de continuidade ou estranhezas que podem ser consideradas um erro/engano pela escritora, como se ela esquecesse algum detalhe, ou se contradissesse. Este post será modificado.
Claro que eles passam, e as atitudes são moldadas pra dar prosseguimento à história. Pegando um exemplo dessa coleção, Harry Potter podia ter avisado a Severo Snape quando ele achou que viu Voldemort torturando Sirius no Departamento de Mistérios, mas ele, Rony e Hermione simplesmente esqueceram. Assim como esqueceram do vidro quebrado que Sirius havia dado a Harry no Natal, a fim poderem se comunicar com segurança. É bem diferente dum RPG, em que os jogadores nunca fazem o que o mestre pretende (ao menos das poucas vezes em que fui mestre), e são livres pra fazer o que quiserem, não se restringindo ao que é mais fácil ou dá os melhores contornos à história.
Mas chega de preliminares.

O primeiro erro marcante que percebi foi quando Bartô Crouch (o filho), fingindo ser Olho-Tonto Moody, interferia na última prova do Torneio Tribruxo. Pelas noções comuns de magia do universo criado pela autora, mesmo um adulto não poderia ser tão eficiente executando feitiços através da sebe sem ser descoberto. Além disso, conseguiu lançar uma Imperius lá no meio (acertando em Vítor Krum), o que não é sempre que ocorre.
Além disso, ele conseguiu passar o ano sem ser descoberto. Teve muita sorte de pegar o Mapa do Maroto de Harry. E surpreende que o verdadeiro Moody deu informações a ele (de como se comportar) enquanto estava preso no malão. Ele podia ter se negado, sacrificando a vida por algo maior, ainda mais que ele fez parte da Ordem na época dos pais de Harry. E além disso, Rabicho e o Crouch conseguiram pegar o verdadeiro Moody em casa, ele que é um auror (forte).
Tudo era possível e improvável; de qualquer forma foi o que ocorreu.

Uma coisa estranha foi o comportamento de Sirius Black quando a Harry, Rony, Hermione e ele estão na Casa dos Gritos. Ele se comporta como se fosse matar um deles. Sabe, se ele sabe que não foi um assassino, não precisa ameaçá-los, nem brigar com Rony, nem agir daquela forma esquisita. Achei bem confusa aquela parte do terceiro livro.

Rabicho é sempre tratado como um bruxo fraco ou médio, que gostava de adular os outros. Mas então como foi que ele explodiu uma rua inteira matando 13 pessoas? Isso com a varinha escondida, às costas. Putz, nem Voldemort conseguiu explodir uma bomba assim. Ninguém mais fez isso.
Também foi estranho Sirius ficar rindo como um louco após o ocorrido. Claro que isso foi um relato de um personagem (sujeito a distorções), mas de qualquer forma pareceu um pouco forçado pra formular a imagem de Sirius.

Por falar em Voldemort, ele passa mão no rosto de Harry logo que recupera seu corpo, no quarto livro. Carinhoso demais. Passa a mão no rosto e depois tortura e tenta matar. Podia ter dado um soco em Harry, ou uns tapas, em vez de um meigo toque no rosto. Ou será que ele era tão nobre a ponto de não dar dano com meios não mágicos?

Outra estranheza é, no dia em que Voldemort (na época em que ele estava como um bebê) e Rabicho invadem a casa dos Riddle, o dia era de pleno verão e as lareiras estavam acesas. Claro que não é exatamente contraditório, pode fazer parte da tradição das pessoas no universo dos livros, mas gostaria de saber se a autora se flagrou disso.

No sexto livro, Malfoy tem a oportunidade de matar Harry quando o pega no Expresso de Hogwarts. Nem que não fosse com magia, poderia fazer alguma coisa. Contudo, não o faz. (Talvez Voldemort não gostasse.)

05 Julho, 2009

Caso de ódio

Acho incrível a capacidade da Microsoft de oferecer um produto cada vez pior no que se refere à conversação instantânea (nome pomposo, né?). Se fosse só isso, tudo bem, mas o problema é que você não tem a menor opção de retornar para o programa antigo. Os programas parecem completos, mas na verdade só tentam me fazer de bobo, como se fosse eu quem precisasse de ajuda e não eles, que só têm milhões de instruções eletrônicas e nenhum cérebro.
Sinto-me frustrado e totalmente arrependido de aceitar a última atualização do MSN Messenger (que até então, estava decente e se encaixava nas minhas necessidades). Agora não sei quanto tempo vou demorar até conseguir atualizar de novo o que eu tinha, ou se vou ter que me sujeitar à bosta nova que tentam me fazer engolir, e usar essas ferramentas que só servem pra me vigiar e deixar tudo indireto, enquanto eu fico mais ignorante e tenho de seguir os caminhos que o programa desenha.

Vou contar uma historinha, que é real. Eu tinha um Windows XP original, e tinha um certo orgulho disso, de possuir o meu Windows, com direito às minhas atualizações. Quando o computador precisou ser formatado, não houve jeito de reinstalá-lo de novo. Simplesmente porque havia sido instalado no outro, e o novo computador (que era o mesmo, aliás) estava reconhecendo como uma segunda instalação, o que não podia. Daí me obriguei a instalar uma versão pirata (também o XP), e aquele CD original não serve mais pra nada. E agora nunca mais comprarei nenhum produto da Microsoft, se é pra ter um programa que só vale por uma instalação, e sequer pode ser instalado nos computadores (tenho 2 atualmente). E até tenho vontade de começar a vender Windows pirata, ou até distribuir de graça, só de raiva.

01 Julho, 2009

Produtos vencidos na Inglaterra

A Martha Medeiros escreveu numa crônica (que saiu hoje no jornal Zero Hora) que ela já ficou na casa de uma inglesa (sim, foi na Inglaterra) que passava por bastantes dificuldades financeiras (tanto que hospedou baratinho a então jovem Martha).
O esquisito dessa história é essa mulher comprar produtos vencidos porque eles são mais baratos. É difícil acreditar que os mercados da Inglaterra tenham permissão para vender um produto vencido, desde que seja por um preço menor. Daí, por enquanto duvido da afirmação da crônica: acho que ela mentiu, ou mais provavelmente se confundiu.

27 Junho, 2009

Dormir com crianças

É incrível como as frases podem se deformar fora do contexto.
Michael Jackson (que morreu ontem ou anteontem) declarou na sua biografia (acho que não foi ele quem a escreveu) que não via problemas em dormir com crianças.
O que será que ele quis dizer?
Pedofilia é chocante. Não sei o que ele tinha na cabeça na hora, mas lhe darei um voto de confiança e vou declarar: também não vejo problema em dormir com crianças.

24 Junho, 2009

Legal

Vou trabalhar com a definição legal. Considere isto no sentido em que tentarei encontrar um conjunto de atitudes coerentes com o que se espera da palavra legal (algo positivo, bom, se bobear até cool). (Não sei se há sentido isso...)

Muitas pessoas são consideradas legais por serem consideradas agradáveis aos seus pares, aos seus amigos. Acho que ser legal é outra coisa. (Dito de forma mais rigorosa, outra característica é mais importante.) O legal deveria ser legal com todos e ter atitudes socialmente responsáveis (talvez ecologicamente responsáveis também). Quer dizer, não deveria devotar suas boas ações somente àqueles que o dão apoio e vão retribuir, mas sim a todos que se envolvem no seu dia-a-dia (expansível para animais!).

Podemos pensar também em legal como "minimax"; legal seria aquele com as melhores piores atitudes. Me parece mais efetivo (não se você for egoísta, claro).
Uma explicação para o que é minimax: no próximo post. Não perde.

18 Junho, 2009

Evolução impossível

Quando via os problemas de concepção de pessoas durante o passar das histórias quando eu era menor, achava que os enganos a respeito do mundo e da forma como as pessoas lidavam entre si estavam acabando, melhorando inexoravelmente.

Achava que estava resolvida a questão: aparência não é importante, o que importa é o que a pessoa é "por dentro". Mas não, não é assim, não ocorreu nada. Continua-se julgando e sendo julgado pelo exterior, e se não cada vez mais, ao menos a queda não é acentuada.

Também continuamos casando por dinheiro, e mesmo fazendo qualquer coisa por dinheiro. Ainda não aprendemos a lição, dada em tantas histórias, que amigos, amores e companhias podem nos trazer felicidade, e não nenhum tipo de papel (bem, talvez cartas e versos dos seus amigos, amores e companheiros te deixem, com razão, muito contente e satisfeito).

Achei que agora que um século novo estava chegando deixaríamos de cometer os erros, que eles eram coisas de uma época antiga; achei que as pessoas estavam lendo e conjecturando sobre os destinos e os resultados de suas ações e achei que poderiam tomar decisões sábias. Achei que haveria solução para as guerras. Guerra? Que coisa retrógada! Isso é coisa de antes dos anos 60; agora já sabemos lidar com as nossas diferenças.

Mas então o tempo passou e o que eu esperava não ocorreu. E na verdade, não acho que vá ocorrer. Chamando a situação de zeitgeist (da forma que entendo que essa palavra é usada), acho que houve melhoras na sociedade, mas ainda assim não conseguimos aprender o suficiente com as nossas experiências (nem com as "simulações", as estórias dos livros). Ainda há escravos, ainda tem gente que gosta de submeter outras, ainda há tortura, ditaduras... não, ainda não aprendemos a lição. Penso que as coisas melhorarão, a um ritmo lento. E é bonito dizer isso quando não se passa fome nem se está sofrendo com o desemprego, mas uma melhora poderia ser produzida com maior educação, principalmente a disseminação de que a sociedade deve discutir como a sociedade deve viver.

Um bom exemplo disso é a necessidade de diploma universitário para o emprego de jornalista no Brasil. Não tenho opinião formada sobre o assunto (deveria?); de qualquer forma acho importante que essa questão seja discutida pela população pela mídia (e pelas mesas de conversa por aí, que formam e alteram opiniões).

10 Junho, 2009

Humildade para transmitir informações

Parte central da minha vida é dedicada a aprender (e um dia terei que ensinar). Muitos não dão importância a esse processo, e preferem, quando falam alguma coisa, sentirem-se superiores a efetivamente transmitirem uma mensagem inteligível. Alguns preferem mostrar que algo é óbvio (isso pode ser feito não dando a explicação) do que mostrar a própria coisa.

"Entendeu ou quer que eu desenhe" às vezes é usado para encerrar ofensivamente uma explicação. Tudo bem que há coisas que deveriam ser entendidas mais rapidamente, mas se a pessoa está disposta a saber, menosprezá-la não adianta muito. E mais: desenhar ajuda a transmitir ideias (deve ser por isso que gesticulo bastante quando falo).

A motivação do post foi uma situação real. Em uma votação em que quatro seriam eleitos, pedi se deveria marcar um ou quatro nomes na cédula. Pareceu que a pessoa queria me convencer de que só eu não achava óbvio que se está escrito que são quatro eleitos então o voto deve ser feito em quatro pessoas. E isso é tão óbvio que a gente [aqui na nação gaúcha] enche o saco de tanto digitar os números de 3 senadores e de 31 deputados federais que queremos eleger.

Muitas vezes algo parece óbvio pra alguém porque esta pessoa não teve criatividade pra pensar numa alternativa. Uma posição mais aberta é se interessar pelo que a outra pessoa possa ter pensado e imaginado, dá uma pequena ideia dos caminhos dos pensamentos dos outros (o que acho interessantíssimo!).

29 Maio, 2009

De uma mentira

Quarta-feira menti para obter vantagem em certa situação. (Na verdade fui conivente com uma mentira, e isso causa praticamente o mesmo em mim.)
Logo depois já me arrependi: pra que mentir por coisas tão bobas? Mesmo que fosse para obter algo importante, não sou suficientemente bom (e o mundo não é suficientemente justo e legal) para conseguir o que quero (ou pode ser o que não espero! mas deve ser positivo!) simplesmente cumprindo as regras. Sou capaz de fazer as coisas, não preciso mentir. Como um ganhador que não precisa trapacear. Claro, não sou nada acima de alguém, mas existe o meu lugar e existe a minha força para realizar. Mentir é um truque sujo que não deveria ser utilizado por mim dessa forma. Senti-me como uma criança, porque mentir assim é covarde e infantil.

Por outro lado, consegui fazer algo "errado" (isto é, sustentar a mentira). Assim como conseguiria consumir bebidas alcoólicas ou prejudicar alguém (é, prejudiquei um pouco participando da farsa, e era um "inocente"!) sem ficar obcecado por causa disso. Prefiro não fazer mal às pessoas nem usar truques toscos para obter o que desejo; mas se fizer, o melhor a fazer é reconhecer-se como um humano que age e erra, não vou arder no inferno por isso (nenhum deles). Assim é (está) minha moralidade. Parece bom.

Cabe realçar que brincar com as outras pessoas e depois dizer a verdade é bem diferente de mentir. Quando falei em mentir e qualifiquei o ato, me referi às mentiras com finalidades e formas parecidas à executada.

Um parágrafo sobre algo parecido; a conexão é você mesmo quem deve fazer. Não faz sentido dizer, quando alguém se queima no fogão, que é bom para isso não acontecer mais. Se é melhor não acontecer, é melhor não acontecer do que acontecer uma vez que seja a primeira e a última.